NI
Início
Explorar
Explorar História Município
Galeria
Galeria Fotografias Prefeitos Moradores
Personalidades
Mais
Mais Museu Missão
Fontes
Notícias
Início
Explorar
História Município
Galeria
Fotografias Prefeitos Moradores
Personalidades
Mais
Museu Missão Fontes
Notícias

Aparência

Tema
Modo
Fonte
Mov. Reduzido
Vídeo Hero
VWorks
Nova Iorque Notícias

NOVA PARCERIA

O Museu Virtual de Nova Iorque se orgulha em anunciar sua mais nova parceria com o perfil Nova Iorque Notícias.

Juntos levando informação e cultura para nossa cidade.

@novaiorquenoticias

Em desenvolvimento

Esta seção do site ainda está sendo criada.

Fique de olho nas novas atualizações!

Site em desenvolvimento

Este site está sendo criado por apenas um jovem de 16 anos chamado Victor Gabriel, apaixonado pela história de Nova Iorque — MA.

Por favor, tenha paciência! Mais abas do site, fotos, relatos e conteúdos surgirão futuramente.

Algumas informações no site podem não ser precisas, mas serão corrigidas ao decorrer dos dias.

Siga-me e meus parceiros nas redes sociais e apoie este projeto!

@vegecederi @novaiorquenoticias

Muito obrigado pela visita! 💙

Capítulo I

O ÍNICIO

Por volta de 1764, as primeiras comitivas de gado conduzidas por bandeirantes baianos e pernambucanos rasgaram o solo maranhense. Encantados com a abundância de olhos d'água e a fertilidade da terra, estabeleceram ali as bases do município de Pastos Bons.

A apenas 24 quilômetros da margem esquerda do Rio Parnaíba, a história da região ganhou um novo contorno com a consolidação da fazenda de gado Sussuapara, cravada na localidade conhecida como Porto das Almas. O proprietário era o português Domingos do Espírito Santo e Silva, um homem que carregava um passado sombrio: foragido da Coroa Portuguesa, ele tinha sua cabeça valendo uma alta recompensa, vivo ou morto.

Nas terras maranhenses, Domingos encontrou o refúgio perfeito. Sempre que o perigo rondava, ele se embrenhava na vegetação e se ocultava no topo do Morro do Urubu, um ponto estratégico de observação a dois quilômetros do Rio Parnaíba.

A sorte do proprietário mudou drasticamente em uma noite de 1839, em pleno estopim da Balaiada. Necessitando reabastecer seu esconderijo com gêneros alimentícios, Domingos desceu do morro e adentrou a casa da fazenda. Foi um erro fatal.

Surpreendido na escuridão, ele foi cercado e capturado pelas forças legais sob o comando do Major Clementino de Sousa Martins — filho do Barão de Oeiras e governador da província do Piauí. Sem qualquer hesitação, o militar amarrou o português a um dos morões do curral da Sussuapara.

Desesperada, Dona Josepha, esposa de Domingos, tentou comprar a vida do marido. Ofereceu ao Major um resgate colossal: dois mil patacões de prata (moedas de 960 réis, cada uma pesando 20 gramas de prata pura). O Major Clementino aceitou a fortuna. Porém, ignorando a palavra de honra do Império, ele embolsou a prata e manteve o fazendeiro acorrentado.

O prisioneiro foi arrastado até o Porto das Almas, onde cruzaram o Rio Parnaíba in direção às terras piauienses. A marcha forçada seguiu por cerca de 90 quilômetros até alcançarem a Barra do Rancho.

Foi ali que a crueldade se consumou. Sob as ordens do Major Clementino, Domingos do Espírito Santo e Silva foi executado por sangramento. O crime foi cometido na presença de um de seus filhos, que se recusou a abandonar o pai até o último suspiro.

Com o assassinato de seu fundador, a imponente fazenda Sussuapara desmoronou e desapareceu no tempo. Como marco definitivo dessa tragédia, o antigo Porto das Almas foi rebatizado, perpetuando na memória do rio o nome de Porto da Marimba.

Capítulo II

A CHEGADA DE BURNET

O ano de 1871 marcou o início de uma nova era para o Porto da Marimba. Uma comissão técnica, chefiada pelo engenheiro norte-americano Eduardo Burnet, desembarcou na região com uma missão audaciosa: realizar a limpeza do canal do Rio Parnaíba e desobstruir as cachoeiras que travavam o avanço da navegação regional.

Vislumbrando o potencial estratégico daquele ponto, Burnet não se limitou ao trabalho técnico. Ele ordenou a construção da primeira casa com cobertura de telhas da localidade e decidiu fixar residência ali, estabelecendo um comércio forte focado em atrair os sertanejos e movimentar a economia local.

O crescimento foi fulminante. Em pouco tempo, o acampamento de operários e comerciantes começou a tomar forma de comunidade. Para fundar oficialmente a nova vila, Eduardo Burnet contou com a cooperação direta de pioneiros brasileiros: Bernardino do Espírito Santo e Silva, Justino Neiva de Souza, Anália Augusta de Neiva e João Henrique Ferreira.

Nascido sob a forte área de influência de Pastos Bons, o povoado expandiu-se em ritmo acelerado. O reconhecimento oficial não tardou: através do Decreto-Lei nº 1.382, de 11 de maio de 1886, a localidade foi oficialmente desmembrada de Pastos Bons, elevando-se ao status de município sob o nome de Vila Nova.

Quatro anos mais tarde, em 1890, diante do progresso avassalador e do desenho urbano que se consolidava, Eduardo Burnet decidiu batizar em definitivo a sua criação. Como uma homenagem nostálgica e ambiciosa à sua terra natal nos Estados Unidos, a promissora Vila Nova deixava o passado para trás e nascia, oficialmente, Nova Iorque.

Capítulo III

A COLUNA PRESTES

O ano de 1925 trouxe o eco da revolução para as ruas de Nova Iorque. A cidade foi surpreendida pela chegada de um destacamento da icônica Coluna Prestes: o Batalhão de Cavalaria do revolucionário Luís Carlos Prestes, comandado pelo Coronel Djalma Dutra.

A princípio, o plano da força revolucionária era interceptar a retirada das tropas legalistas sediadas em Uruçuí e Benedito Leite, a 130 quilômetros dali. No entanto, após um combate desfavorável, os 1.500 homens do batalhão perderam-se da rota original e, sem informações precisas sobre o terreno, acabaram marchando diretamente rumo a Nova Iorque.

Antecipando o avanço dos revolucionários, o pânico tomou conta da população local. Quando o batalhão finalmente invadiu a cidade, encontrou um cenário fantasma: a maioria dos moradores havia fugido às pressas para os interiores do município, para o topo protetor do Morro do Urubu ou cruzado o Rio Parnaíba em busca de abrigo no Piauí. Apenas três famílias decidiram ficar e encarar a fúria do bando de mais de mil homens: as dos senhores José Lopes Milhomem, José Italiano de Araújo e Mariano da Silva.

Com o controle total da cidade, o Coronel Djalma Dutra tentou apaziguar a situação. Mandou emitir ordens para que os refugiados retornassem, garantindo que ninguém seria ferido e prometendo que haveria carne para o sustento de todos os moradores indefesos.

Na prática, porém, a realidade foi avassaladora. Os "revoltosos", como passaram a ser chamados pelos ribeirinhos, desembarcaram exaustos, famintos e maltrapilhos. Movidos pela necessidade extrema de conter a fome do bando, os soldados ignoraram as promessas de ordem: arrombaram estabelecimentos comerciais, invadiram residências e passaram a abater gado em grande quantidade no meio das ruas.

Nova Iorque sofreu um golpe bárbaro em sua infraestrutura e memória. Durante uma semana de terror e intranquilidade, as forças revolucionárias saquearam sistematicamente o comércio e as famílias mais abastadas. Em um ato de vandalismo tático, o bando incendiou os arquivos do 2° Ofício, a Coletoria Estadual e a Prefeitura Municipal, além de destruir completamente o aparelho de telégrafo. O ataque criminoso deixou o município sem qualquer meio de comunicação e apagou décadas de registros formais da sua história.

Até mesmo o comércio fluvial foi sufocado. Embarcações que singravam o Parnaíba eram interceptadas e confiscadas pelas tropas, incluindo um grande carregamento vindo de Uruçuí, cujas mercadorias foram totalmente extraviadas junto aos saques locais.

Após sete dias de ocupação, o batalhão finalmente deixou a cidade destruída, seguindo rio abaixo em direção à capital piauiense. À medida que a poeira baixava, a população sobrevivente retornava lentamente às suas casas para contabilizar os prejuízos e tentar reconstruir a história que os revoltosos tentaram queimar.

Capítulo IV

A PRIMEIRA ENCHENTE

No ano de 1926, mais precisamente no mês de março, Nova Iorque foi surpreendida por uma fortíssima e inesperada chuva que inundou toda a cidade, destruindo residências, comércios e prédios públicos, deixando assim toda a população desamparada, sem ter a quem recorrer.

Diante desse triste acontecimento, a população mudou-se para um terreno mais alto e construiu uma nova cidade, sem receber qualquer ajuda externa. Durante a reconstrução, a cidade manteve a mesma estrutura: 13 ruas e 2 praças, sofrendo apenas ligeiras modificações.

Essa foi considerada a mais comentada enchente do Rio Parnaíba até então, registrando-se fatos que a tornaram terrivelmente inesquecível.

Capítulo V

NOVA IORQUE ELEVA-SE

O reconhecimento definitivo veio em 29 de março de 1938. Em observância à lei nacional nº 311, o Decreto-Lei nº 45 elevou oficialmente Nova Iorque à categoria de cidade.

Antes de consolidar suas fronteiras atuais, o município viveu uma intensa dança das cadeiras territorial com a vizinha Benedito Leite. Por força do Decreto Estadual nº 75, de 22 de abril de 1931, o território de Benedito Leite havia sido anexado a Nova Iorque, figurando como seu distrito na divisão administrativa de 1933. Essa união, contudo, durou pouco: em 30 de setembro de 1935, Benedito Leite foi novamente desmembrada, recuperando sua autonomia e sua categoria de município independente.

Retrato de uma Época: A Década de 1950

De acordo com os dados do Recenseamento Geral de 1950, Nova Iorque abrigava uma população total de 5.625 habitantes (sendo 2.694 homens e 2.958 mulheres). Refletindo o Brasil daquela época, a vida pulsava longe do asfalto: cerca de 80% dos nova-iorquinos viviam e trabalhavam na zona rural.

A subsistência e a economia da cidade sustentavam-se fortemente na agropecuária e no extrativismo vegetal. O município, inclusive, alcançou uma marca histórica em 1956: com um rebanho impressionante de 46.000 caprinos, Nova Iorque consagrou-se como o maior criador da espécie em todo o estado do Maranhão.

No setor extrativista, mesmo sem o suporte de uma indústria organizada, a produção era surpreendentemente desenvolvida, destacando-se na exportação de amêndoas de babaçu e cera de carnaúba.

Nas águas do Rio Parnaíba, a pesca moldava o sustento de 27 pescadores artesanais. Embora não fossem organizados em uma Colônia oficial e fizessem uma pesca de menor escala, eles dominavam o rio a bordo de suas canoas, utilizando redes comuns e de arrasto, anzóis e currais. Já na área urbana, o abastecimento e a movimentação financeira da pacata cidade ficavam por conta de doze estabelecimentos varejistas e uma única e pioneira indústria.

Capítulo VI

O FIM (?)

Os anos se passaram e Nova Iorque seguia seu curso natural, sem que sua população pudesse imaginar o impacto do que estava por vir. Em janeiro de 1963, o então Presidente da República, João Goulart, oficializou o Decreto-Lei nº 2.035 (publicado no Diário Oficial da União em 18 de janeiro daquele ano). O documento autorizava o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) a desapropriar uma área de aproximadamente 78.700 km² às margens do Rio Parnaíba, abrangendo terras do Maranhão e do Piauí. O objetivo era monumental: a construção da Barragem de Boa Esperança.

Mais uma vez, o destino de Nova Iorque cruzava-se de forma drástica com as forças do Rio Parnaíba. O que para o restante do país era vendido como o ápice do desenvolvimento e do progresso, para os nova-iorquinos soou como uma sentença condenatória. A notícia de que a cidade seria completamente submersa deixou os habitantes atônitos, mergulhados em dias angustiantes de aflição, inquietação e desespero. No início, muitos se recusavam a acreditar; parecia impossível que uma obra humana pudesse parar a correnteza do imponente Parnaíba a ponto de apagar uma cidade inteira do mapa.

A realidade, porém, desembarcou rápido. Pouco tempo após a publicação do decreto, um verdadeiro exército de profissionais começou a tomar as ruas: assistentes sociais, topógrafos, engenheiros e destacamentos do Exército Brasileiro chegaram com uma missão clara: iniciar, do zero, o planejamento de uma nova vida para o povo.

A Escolha do Novo Chão e a COHEBE

Erguer uma nova cidade do nada exigiu intensos debates sobre a localização ideal. Cogitou-se, inicialmente, a construção nos territórios onde hoje ficam os povoados de Orozimbo e Mosquito, na zona rural de Pastos Bons. Contudo, a distância excessiva do Rio Parnaíba fez com que os planejadores mudassem de rota. A decisão final recaiu sobre a "Fazenda Porteiras", um terreno de 353,8 hectares pertencente ao senhor Euvaldo Neiva de Souza, localizado a exatos 5.900 metros da velha cidade.

A responsabilidade pela reconstrução total ficou a cargo da empresa COHEBE (Companhia Hidrelétrica de Boa Esperança), sob o comando do engenheiro Moreira. Além da sede de Nova Iorque, a subida das águas também condenou os povoados de Porto Seguro e São José, cujas populações seriam inteiramente anexadas à nova sede urbana.

Naquela época, o município era composto por sete distritos: Nova Iorque (sede), Mangabeira, Milhãs, Mucambinho, Porto Seguro, São José e Brejo, estruturados na clássica política do interior nordestino, liderada por proprietários de terras, criadores e comerciantes. Através da COHEBE, os moradores tiveram seus bens imóveis (urbanos e rurais) indenizados e receberam casas novas em uma estrutura urbana totalmente planejada e desenhada do zero.

1968: O Adeus e a Velha Cidade Submersa

O ano do êxodo foi 1968. Aos poucos, as famílias começaram a abandonar suas casas, carregando em carroças e caminhões tudo o que podiam salvar, vendo o cenário de suas vidas ser deixado para trás. Foi uma despedida marcada por um rastro de lágrimas e profundas resistências.

Moradores mais antigos guardam na memória relatos dramáticos daqueles dias: houve famílias que precisaram ser retiradas às pressas e à força pelos soldados do Exército. Elas recusavam-se a sair, mesmo com as águas do Parnaíba já invadindo as salas e submergindo as paredes de tudo o que haviam construído com o suor de uma vida inteira.

Ao final, a velha Nova Iorque desapareceu sob o espelho d'água da barragem, levando consigo suas construções históricas e parte de sua força econômica tradicional. O passado físico desfez-se no fundo do rio, mas o povo partiu levando consigo as memórias vivas de um tempo que a água não pôde apagar.

Capítulo VII

O PREÇO DO PROGRESSO

A transferência forçada em 1968 não foi apenas uma mudança de endereço; ela desestruturou profundamente a vida daquela população. Nos primeiros anos, o imponente Rio Parnaíba cobrou o preço da inundação: com a putrefação da vasta vegetação submersa, as águas tornaram-se completamente impróprias para o consumo e a pesca foi severamente afetada. O município testemunhou uma perda incalculável em suas benfeitorias, plantações e áreas agricultáveis, além do impacto devastador na fauna e flora aquáticas e terrestres. Até mesmo o tecido social rompeu-se, já que o planejamento urbano separou antigos vizinhos de uma vida inteira.

Para os moradores que sacrificaram tudo em nome do avanço energético do Nordeste, a ironia foi amarga: a energia elétrica não chegou de imediato à nova Nova Iorque. Passaram-se quase dez anos até que a população pudesse usufruir da eletricidade em suas casas.

Durante essa longa década de espera, o abastecimento dependia de geradores emprestados do município vizinho de Pastos Bons, que funcionavam com hora marcada. Rigorosamente às 22:00 horas, o sistema emitia um sinal clássico: as lâmpadas da cidade piscavam três vezes seguidas. Era o aviso definitivo de que o fornecimento estava prestes a ser cortado, dando o tempo exato para que a população se recolhesse no escuro de suas casas. A tão aguardada Usina de Boa Esperança só ligou seu primeiro gerador em 7 de abril de 1970, iniciando o lento processo de eletrificação da região.

Conclusão: Um Rio de Saudades

Hoje, décadas após o êxodo, Nova Iorque reconta sua trajetória não como uma história de derrota, mas de impressionante força e determinação. É a narrativa viva de um povo que soube se recompor a cada fatalidade e reconstruir sua identidade com resignação, coragem e cabeça erguida, passando esse orgulho de geração em geração.

Em meio às lembranças e às cicatrizes deixadas pelo tempo, a velha cidade submersa mantém-se presente no imaginário local. Nova Iorque tornou-se, essencialmente, um verdadeiro Rio de saudades — onde o passado corre profundo nas águas, mas a memória flutua eterna e inabalável.

Explorar

Início Sobre História Galeria Personalidades

Fale Conosco

Encontrou um bug, inconsistência ou erros ortográficos? Denuncie mandando um email para o endereço abaixo.

museunima@gmail.com
Nova Iorque - MA

Desenvolvimento

VWorks By Victor G. C. da Rocha
@vegecederi @vg-cdr

Parceiros

Nova Iorque Notícias Nova Iorque Notícias @novaiorquenoticias

Museu Virtual de Nova Iorque, MA — Todos os direitos reservados © 2026